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O que minha filha aprendeu viajando

Essa é mais uma blogagem coletiva que estou participando. Para quem não sabe, uma blogagem coletiva ocorre quando vários blogueiros escrevem sobre um mesmo tema. Dessa vez são os colegas blogueiros de viagens com crianças contando sobre “o que meu filho aprendeu viajando”.

Eu fiquei pensando, dentre todas as viagens que já fizemos, o que minha filha pode ter efetivamente aprendido. Quais seriam as informações que foram realmente absorvidas e fixadas no seu conhecimento.

Achei tão difícil!!! Afinal, hoje com 9 anos, o que ela poderia ter aprendido sobre a história da França ou da Inglaterra? O que uma visita a Nova York ou Califórnia poderia ter contribuindo no seu aprendizado? O que tantas viagens a Orlando podem ter de importante na sua formação?

E aí eu comecei a perceber que viajar com crianças não é exatamente ensinar história, geografia ou ciências; é ensinar um estilo de vida. É mostrar que o mundo é muito maior que o nosso bairro e que as pessoas, as paisagens e os costumes são diferentes em cada lugar e que você pode se adaptar a isso.

E não é só viagens ao exterior que ensinam; viajar pelo Brasil também trazem diferenças de culturas e ela percebe isso

Listei abaixo algumas coisas importantes que eu notei que ela aprendeu ao longo desses anos de viagens:

Importância de outro idioma

Eu acho que essa é a coisa mais importante que pudemos passar para ela durante as nossas viagens ao exterior. Mostrar que ter uma segunda língua hoje em dia é o mínimo necessário para ir para qualquer país.

Quando eu era criança/ adolescente e estudava inglês, aquilo parecia uma coisa tão inútil. Não usava em lugar nenhum; parecia uma perda de tempo… Mas minha filha, que teve a oportunidade de viajar para o exterior algumas vezes, consegue ver utilidade no idioma; ela vê que é o inglês que usamos em qualquer lugar e que sem ele talvez não pudéssemos ter feito algumas das viagens que fizemos. Com isso ela acaba tendo mais motivação para estudar inglês.

Respeitar as diferenças culturais

Viajar, para qualquer destino, mostra que os lugares tem costumes diferentes. Hábitos, jeito de se vestir, alimentos, respeito às leis, religião… E vivenciar isso ajuda a respeitar cada cultura.

No Rio de Janeiro, por exemplo, ela percebeu como as pessoas se vestem mais à vontade que São Paulo. E que em Fortaleza o povo é mais divertido. E que em Londres existem muitas mulheres árabes usando véus. E que nos Estados Unidos tem muito mais obesos. E que tudo isso é normal e que as pessoas são diferentes, apesar de algumas coisas parecerem bem estranhas para nós.

E isso também se reflete na forma como celebrar datas comemorativas como Natal, Reveillon, Páscoa… Como cada povo celebra, e porque alguns não celebram, determinadas datas também é uma forma de descobrir as diferentes culturas.

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Foto de pijama na manhã de Natal – uma tradição americana

O mesmo ocorre com as comidas: em cada lugar você encontra diferentes pratos e o legal é provar de tudo. É claro que não é de tudo que ela experimenta (nem eu… rs), mas no geral 85% das comidas que oferecemos ela arrisca em experimentar. E isso se reflete no seu paladar, pois tem poucas restrições e não dá trabalho para comer durante as viagens.

Conservação e Segurança

A conservação dos espaços públicos é algo que ela já chegou a notar: praças, monumentos e prédios em outros países muito mais conservados que aqui. Os rios navegáveis em grandes cidades da Europa também já foi algo que ela comentou, pois isso aqui não é comum.

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Se preparando para um passeio de barco no Rio Sena

Ela percebe também que outros países são mais seguros que o nosso. Que andar à noite pelas ruas de Paris não é perigoso ou que não há o risco de se parar no farol em Orlando. Isso é muito triste porque ela nota que no Brasil não estamos seguros e que em alguns países o risco de ser assaltado, por exemplo, é muito menor.

Uma vez ela chegou a dizer: “Mãe, na Disney (leia-se Orlando) não tem bandido”. Como eu não quero que ela tenha a sensação de que aqui é muito mais perigoso, para ela não ficar “paranoica”, tentei amenizar: “Não é assim, filha. Todo lugar tem bandido, uns mais outros menos”. E ela insistiu: “Não tem, não, mãe; lá não tem nenhuma parede pichada”. Então veja a visão de uma criança, na época com 7 anos: um lugar degradado é sinônimo de um lugar com violência. Muito triste!!!

Patriotismo

Ver o patriotismo americano sempre chama a sua atenção. Ver os americanos cantando o hino com a mão no coração, voltados para a bandeira não é algo comum no Brasil e ela percebe essa diferença.

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Crianças durante o hino no jogo do Orlando City

Percebo que nesse momento político conturbado que vivemos, ela anda interessada em entender os resultados de um possível impeachment e as consequências que isso traz. É claro que ela não entende de taxa de juros, desemprego, crise econômica… mas ela percebe que o nosso país poderia ser bem melhor, como outros que ela conheceu e agora se interessa em saber do andamento das mudanças e se elas serão benéficas.

Se adaptar à situação

Viajar é algo incrível, mas às vezes as coisas não são exatamente como você espera. Perrengue e mudança de planos podem ocasionar certo desconforto e até medo e é legal ensinar a lidar com essas coisas.

Cama ruim de hotel, banheiro apertado do motorhome, ficar num kids club só com crianças e monitores americanos, voo atrasado, derrubar um copo de Coca-Cola faltando 30 minutos para embarcar num voo de 12 horas (isso aconteceu voltando de Londres – não encontramos nada para trocar e teve que voltar assim no avião)… São coisas que acontecem e são situações que ensinam, por bem ou por mal, que a vida nem sempre é como a gente gostaria e que você deve se adaptar.

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Conexão perdida na Argentina e ela dormindo em cadeiras no aeroporto de Buenos Aires

E sabe qual é a única coisa que ela reclama? Da comida do avião; de resto aprendeu a se adaptar 😉

Estudar aquilo que já viu de perto

Essa é a parte que realmente se reflete nos estudos: ver de perto aquilo que a escola fala. Várias vezes já voltei em fotos de viagens para mostrar a ela novamente algo que ela está aprendendo na escola. Um exemplo foi o globo terrestre, que a Terra é dividida por uma linha imaginária, o Meridiano de Greenwich. Aí voltei nas fotos para mostrar que já estivemos lá, onde fica, etc.

No Meridiano de Greenwich

O mesmo aconteceu quando estava estudando os animais vertebrados; voltei nas fotos do Skeletons, museu de esqueletos em Orlando, para mostrar o esqueleto de animais que ela não se lembrava serem vertebrados, como as cobras, por exemplo.

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No Skeletons

Isso ajuda no estudo porque ela se lembra do que viu e ilustra aquilo que está estudando. E vendo aquilo que está aprendendo na escola fica muito mais fácil estudar.

 

Então cheguei à conclusão que não posso enumerar matérias e assuntos que ela aprendeu, até porque é uma criança e não registra as informações como nós, mas posso dizer que viajar muda a sua personalidade e seu jeito de encarar o mundo. E eu diria mais: muda a sua forma de encarar a vida!

 

Não deixem de ler os posts dos amigos que participam comigo dessa blogagem coletiva:

Já conhece os serviços da Andreza?

29 comentários em “O que minha filha aprendeu viajando”

  1. Fantástico Andreza… Toda viagem é um aprendizado, e esses pequenos viajantes absorvem tudo com muita facilidade né? Adorei! Parabéns e um maravilhoso dia das mães para você!!!! Beijo grande

  2. O Álvaro iniciou no ensino fundamental esse ano, mas com certeza “Estudar o que já viu de perto”deve fazer toda a diferença, no aprendizado deles.
    Estou louca para curtir essa fase com ele.

    Feliz Dia das Mães,

    Fran @ViagensqueSonhamos

  3. Muito legal e realmente o idioma e ver de perto o que aprendeu na escola, assim como ver algo e depois mais tarde ver na escola…isso tudo faz muita diferença!!!!!!!!!!!!!!! Esta parte de se adaptar aos perrengues é muito massa, na verdade observo que para eles quase tudo tá bom né???????? rsrsrrs

  4. Com certeza deve ser demais para os pequenos estudar o que eles viram pessoalmente, isso é legal até para gente que é adulto, né? Muito bem lembrado! Aqui meu mais velho ainda tem 4 anos, deve ser legal quando eles ficam maiores e tem outra percepção das coisas, como a sua teve dos rios navegáveis. Sexta fomos para o interior de SP e na Marginal, meu filho falou “olha que rio grande, deve ter muitos peixinhos!” e aí expliquei para ele que infelizmente era um rio morto, que não havia peixes nem outros bichinhos…

  5. Que excelente texto Andreza. Realmente aprender um outro idioma é um fator primordial. Eu levei muito tempo para entender isso, até porque só depois de adulto que tive condições de fazer uma viagem para o exterior, hoje quero incentivar desde cedo a Valentina estudar outras línguas.

  6. Oi Andreza,
    Você tocou em itens importantíssimos: patriotismo, que nós já perdemos e esquecemos qual o significado e sentir isso de verdade… é muito triste.
    Conservação e segurança: é interessante como ela percebeu isso né? E o cuidado que os cidadãos de outros lugares têm com o seu patrimônio é tão bonito, tão respeitoso, dá gosto de ver. Mas, tudo isso podemos mudar com educação e nossos filhos serão parte disso, daqui para frente!
    Beijos!

    1. Marcia,

      Eu também acredito nisso, plantando a semente nesses pequenos, com certeza vamos conseguir resgatar esse amor a pátria e transformar o Brasil em um país melhor…..
      Bjos

  7. Andreza,

    Concordo com tudo o que você falou, sobre viajar ser um estilo de vida e todo o resto. Acredito que seja um legado sem mensuração para nossos filhos, que crescem sabendo que são cidadãos do mundo. Adorei!

    Claudia
    @AsPasseadeiras

  8. Quando estivemos em Buenos Aires e fomos visitar o Malba meu filho , na época com 10 anos, emocionou-se de ver o
    Abapuru da Tarsila do Amaral exposto. Tudo Pq aos 5 anos haviam feito um trabalho sobre essa pintora brasileira. Foi emocionante.

    1. Oi,
      Luis
      É muito legal, isso ocorre com a minha filha também, as vezes tem trabalho de escola e ela vem para mim e fala, “mãe lembra quando a gente visitou esse lugar…”
      Abraços e Obrigada

  9. Praticamente tudo que você listou entrou na minha lista Andreza, tem coisas que realmente não temos como mensurar, como citar, somos pegos de surpresa muitas vezes diante de alguma pergunta, de algum comportamento não é verdade? Bjs.

  10. Oi Andreza! Ensinar um estilo de vida, adorei esse seu insight! Legal que sua fiilha também se beneficiou da questão do idioma e das diferenças culturais. Muito legal também quando você fala também sobre “ver de perto o que a escola fala”! Um abraço!

  11. Realmente Andreza, talvez o mais importante para eles aprenderem nas viagens é a necessidade de se falar um outro idioma, o quanto uma outra língua é importante para se virar lá fora.
    Abraços!
    Patricia Tayão.

    1. Oi,
      Patricia
      Com certeza, com as viagens minha filha viu a importância de outro idioma para se comunicar, coisa que não aconteceu comigo, na época que eu aprendia inglês como eu não usava muito porque não saia do país, então eu não via tanta importância.
      Abraços e Obrigada

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