A Itália é o país que guarda mais história cristã do que qualquer outro lugar do planeta. Aqui nasceram e morreram apóstolos, o cristianismo deixou de ser perseguido e virou religião oficial do Império Romano, santos mudaram o rumo da Igreja e até a própria casa onde Maria viveu com Jesus foi (segundo a tradição) milagrosamente transportada de Nazaré para a Europa.
Se você é católico praticante, devoto de algum santo ou simplesmente gosta de viagens com significado, a Itália é um prato cheio. O país reúne alguns dos lugares mais importantes do cristianismo, e muitos deles fazem parte do imaginário de quem sonha em visitar destinos de fé. Neste guia, selecionei as 5 cidades mais importantes do cristianismo na Itália e que são referência para peregrinos do mundo todo. São locais onde a tradição religiosa se mistura com história, arte e experiências que tocam quem passa por ali.
De Roma, onde está o túmulo de São Pedro, a Pádua, associada a Santo Antônio; de Assis, marcada pela espiritualidade franciscana, a Turim, conhecida pelo Santo Sudário, a Itália reúne destinos que fazem parte da história da fé cristã. É um roteiro que emociona muitos viajantes e que pode trazer um significado especial para quem busca uma viagem mais profunda.
Pronto para descobrir cada uma delas com calma, com a história religiosa por trás e tudo o que você realmente precisa visitar em cada cidade?
Roma, a Cidade Eterna onde tudo começou
Sem exagero: se o cristianismo tem um quilômetro zero, ele fica exatamente em Roma. Foi em Roma que São Pedro, o primeiro Papa, foi crucificado de cabeça para baixo no ano 67 d.C., no circo de Nero (exatamente onde hoje está a Basílica de São Pedro). No mesmo período, São Paulo foi decapitado na Via Ostienne. Os dois apóstolos escolheram dar a vida nesta cidade para que a mensagem de Jesus chegasse ao coração do Império Romano; e chegou.
Desde o século I, Roma é a sede do sucessor de Pedro. Todos os papas, de São Lino até o Papa Leão XIV, governaram a Igreja a partir daqui. Por isso ela é chamada de “Cidade Eterna” não só pela história romana, mas principalmente pela fé que nunca morreu aqui; nem mesmo durante os períodos mais duros de perseguição. Abaixo alguns lugares obrigatórios para os peregrinos visitarem:
Basílica de São Pedro + Praça São Pedro
É considerada a principal igreja do mundo, mesmo não sendo a catedral do Papa. A basílica foi construída exatamente sobre o túmulo do apóstolo Pedro, considerado o primeiro Papa. A tradição cristã sempre tratou esse espaço como o centro da fé, e é por isso que tantas decisões e celebrações importantes acontecem aqui. A Pietà de Michelangelo, o Baldaquino de Bernini e os túmulos papais ajudam a entender o papel que Roma teve na história da Igreja.
Endereço: Piazza San Pietro, Vaticano
Horário: 7h–18h30
Entrada: gratuita · Cúpula €8 (escada) ou €10 (elevador parcial)
Dica: Quartas (audiência) e domingos (Angelus) costumam ser os dias com maior chance de ver o Papa. É possível ver o calendário e agendar uma vaga na audiência papal no site oficial.

Museus Vaticanos + Capela Sistina
Os Museus Vaticanos reúnem séculos de arte ligada à fé, desde esculturas romanas até obras renascentistas usadas para transmitir histórias bíblicas. A Capela Sistina marca o ápice dessa relação entre arte e religião: é onde Michelangelo representou a Criação e o Juízo Final e onde até hoje acontece o conclave para a escolha de um novo Papa.
Endereço: Viale Vaticano
Horário: 9h–18h (última entrada 16h)
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Basílica de São João de Latrão
É a catedral do Papa, algo que surpreende muita gente que chega esperando que essa função seja de São Pedro. A igreja marca o momento em que o cristianismo deixou de ser perseguido e passou a ter uma sede oficial em Roma, no século IV. Também foi aqui que muitos concílios e decisões importantes da Igreja aconteceram ao longo dos séculos.
Endereço: Piazza di San Giovanni in Laterano, 4
Horário: 7h–18h30
Entrada: gratuita
Basílica de Santa Maria Maior
Ligada à devoção mariana desde o século V, essa basílica está conectada a um episódio famoso: a “neve milagrosa” que teria indicado o local para sua construção. Aqui também estão relíquias atribuídas ao presépio de Jesus e a imagem Salus Populi Romani, muito importante no pontificado do Papa Francisco.
Endereço: Piazza di Santa Maria Maggiore
Horário: 7h–18h45
Entrada: gratuita
Basílica de São Paulo Fora dos Muros
Erguida sobre o local onde Paulo foi enterrado após o martírio, essa basílica é um dos lugares mais respeitados da cristandade. Paulo teve papel decisivo na expansão do cristianismo e muitas peregrinações acontecem justamente para homenagear esse legado. A galeria com os retratos de todos os papas mostra como a Igreja se desenvolveu ao longo dos séculos.
Endereço: Piazzale San Paolo, 1 (metrô Basilica San Paolo)
Horário: 7h–18h30
Entrada: gratuita · Claustro €4

Assis, a terra de Francisco e Clara
Assis é um dos lugares mais marcantes para quem faz uma viagem religiosa pela Itália. A cidade inteira gira em torno da vida de São Francisco e Santa Clara, dois dos santos mais influentes da história da Igreja e muito queridos pelos brasileiros. Caminhar pelas ruas de pedra, ver onde eles viveram e entender como a espiritualidade franciscana começou é uma daquelas experiências simples, mas que costumam ficar pra sempre na memória.
Foi aqui que Francisco renunciou publicamente à fortuna do pai para viver em pobreza e serviço. Foi onde Clara deixou tudo para seguir esse mesmo caminho e onde surgiram as duas ordens que até hoje influenciam a Igreja no mundo todo.
Basílica de São Francisco de Assis (Superior e Inferior)
A basílica foi construída logo após a morte de Francisco, em 1226, e guarda seu túmulo na parte inferior. A igreja superior é famosa pelos afrescos de Giotto que contam a vida do santo, uma das obras mais importantes do início do Renascimento. Para quem é peregrino, o destaque é a cripta, onde muitos aproveitam para rezar em silêncio perto do túmulo de Francisco.
Endereço: Piazza Inferiore di San Francesco
Horário: 6h–19h (pode variar conforme a estação)
Entrada: gratuita

Basílica de Santa Clara
Santa Clara foi uma das primeiras seguidoras de Francisco e fundadora da Ordem das Clarissas. A basílica onde ela está sepultada ajuda a entender melhor o papel feminino no movimento franciscano e como a espiritualidade deles se complementa. O crucifixo original conhecido como “Cruz de São Damião”, que segundo a tradição falou com Francisco, também está aqui.
Endereço: Piazza Santa Chiara
Horário: 6h30–18h30
Entrada: gratuita
Porciúncula (Basílica de Santa Maria dos Anjos)
A Porciúncula é considerada o “coração” da espiritualidade franciscana. Era uma pequena capela abandonada que Francisco restaurou e que se tornou o centro da vida dos primeiros frades. Ali ele viveu parte importante de sua missão, ali recebeu Clara quando ela deixou a família e ali também morreu em 1226. A Porciúncula hoje fica dentro de uma basílica enorme, algo que surpreende muita gente na primeira visita.
Endereço: Piazza della Porziuncola, Santa Maria degli Angeli
Horário: 6h–19h30
Entrada: gratuita
Eremitério das Carceri (Hermitage)
Um dos lugares mais tranquilos de Assis. Fica no alto do Monte Subásio, a poucos quilômetros do centro histórico. Francisco e seus primeiros companheiros vinham até aqui para períodos de silêncio e oração. As cavernas, a floresta ao redor e a paisagem ajudam a entender por que a relação com a natureza é tão forte na espiritualidade franciscana.
Endereço: Via Eremo delle Carceri (aprox. 4 km do centro)
Horário: 9h–17h
Entrada: gratuita

Pádua, o legado de Santo Antônio e da tradição religiosa
Pádua é um dos destinos religiosos importantes da Itália por causa de Santo Antônio, um dos santos mais populares do mundo e especialmente querido pelos brasileiros. Embora tenha nascido em Lisboa, Antônio viveu boa parte da sua missão como frade franciscano no norte da Itália e morreu aqui, em 1231. Desde então, peregrinos do mundo inteiro visitam Pádua para conhecer o lugar onde ele pregou, viveu e onde estão guardadas suas relíquias.
Basílica de Santo Antônio de Pádua
Construída logo após a morte do santo, a basílica guarda seu túmulo e várias relíquias ligadas à sua história. É um dos centros de peregrinação mais movimentados da Itália e costuma emocionar quem tem devoção a Santo Antônio. O interior tem capelas, esculturas e obras que mostram por que ele se tornou conhecido como “o santo dos milagres”.
Endereço: Piazza del Santo
Horário: 6h15–19h45
Entrada: gratuita

Oratório de São Jorge
Fica ao lado da basílica e é conhecido pelos afrescos do século XIV que retratam santos e episódios bíblicos. Apesar de pequeno, ajuda a entender o clima religioso de Pádua na Idade Média e como o culto a Santo Antônio cresceu rapidamente.
Endereço: Piazza del Santo
Horário: 9h–12h e 15h–18h
Ingresso: €3
Basílica de Santa Justina
A Basílica de Santa Justina não costuma aparecer nos roteiros mais turísticos, mas tem um peso enorme na tradição cristã. Ali estão relíquias de santos e mártires dos primeiros séculos, o que ajuda a mostrar como Pádua já era um centro religioso importante muito antes da presença de Santo Antônio. Para quem quer entender melhor a história da cidade e seu papel na fé cristã, a visita complementa muito bem o passeio.
Endereço: Prato della Valle
Horário: 7h30–12h e 15h–19h
Entrada: gratuita

Turim, a cidade do Santo Sudário
Turim se tornou um dos destinos religiosos mais conhecidos da Itália por causa do Santo Sudário, uma das relíquias mais estudadas e discutidas do mundo. A cidade ganhou importância na tradição cristã especialmente a partir do século XVI, quando o sudário foi levado para lá pela Casa de Saboia. Mesmo não ficando exposto permanentemente, Turim atrai peregrinos que querem conhecer de perto a catedral onde ele é guardado e entender a história por trás dessa peça que atravessa séculos de devoção e pesquisa.
Catedral de São João Batista (Duomo di Torino)
É aqui que o Santo Sudário é mantido. O tecido raramente é exposto, mas a visita à catedral ajuda a entender o contexto histórico da relíquia e por que ela desperta tanto interesse no mundo todo. A capela onde o sudário fica guardado foi restaurada após um incêndio nos anos 1990 e hoje é um dos pontos espirituais mais importantes da cidade.
Endereço: Piazza San Giovanni
Horário: 8h–12h e 15h–19h
Entrada: gratuita

Museu do Santo Sudário
Fica próximo à catedral e é o lugar ideal para quem quer se aprofundar no tema. O museu apresenta documentos, imagens, estudos científicos e explicações sobre a trajetória do sudário desde seus registros mais antigos até a chegada em Turim. Mesmo quem não tem conhecimento prévio sobre a relíquia costuma achar a visita interessante porque ela une história, ciência e tradição cristã.
Endereço: Via San Domenico, 28
Horário: 9h–12h e 15h–19h
Ingresso: €7
Basílica de Maria Auxiliadora
Turim também é conhecida pela obra de São João Bosco, fundador da congregação salesiana. A basílica foi construída por ele no século XIX e hoje guarda seus restos mortais. É um dos lugares mais visitados pelos peregrinos que têm ligação com a espiritualidade salesiana ou com a educação católica.
Endereço: Via Maria Ausiliatrice, 32
Horário: 6h30–19h
Entrada: gratuita
Santuário da Consolata
Um dos templos marianos mais antigos e queridos da cidade. A devoção à Virgem Consolata tem origem medieval e o santuário mistura arquitetura barroca com uma história de séculos de peregrinação local. Para quem já está no centro histórico, é uma visita rápida e facilmente encaixada no roteiro.
Endereço: Piazza della Consolata
Horário: 6h30–19h30
Entrada: gratuita

Loreto, o santuário da Santa Casa
Loreto é um dos principais destinos marianos da Itália e recebe peregrinos do mundo inteiro por causa da Santa Casa, considerada por séculos o local onde teria vivido a Virgem Maria em Nazaré. A tradição afirma que a casa foi transportada de forma milagrosa no final do século XIII, justamente no período em que os cristãos perdiam território na Terra Santa. A devoção à Santa Casa cresceu rapidamente e transformou Loreto em um dos santuários mais visitados da Europa durante a Idade Média, papel que mantém até hoje.
Basílica da Santa Casa (Santuario della Santa Casa)
A basílica foi construída ao redor da Santa Casa para proteger o interior de pedra, que permanece preservado dentro do templo. A capela, revestida por esculturas renascentistas, é o ponto mais procurado pelos peregrinos e simboliza a ligação entre Maria e a vida cotidiana das famílias cristãs. Além da casa, a basílica tem pinturas, capelas laterais e espaços que ajudam a entender como a devoção mariana se fortaleceu na Itália.
Endereço: Piazza della Madonna
Horário: 6h15–19h30
Entrada: gratuita

Museu Pontifício Santa Casa
O museu reúne obras ligadas à história de Loreto, incluindo pinturas, esculturas, objetos litúrgicos e peças que mostram como o santuário influenciou a arte religiosa entre os séculos XVI e XVIII. É uma visita interessante para quem quer ver a evolução da devoção mariana e entender o papel de Loreto na cultura cristã.
Endereço: Dentro do complexo do santuário
Horário: 10h–13h e 15h–18h (pode variar)
Ingresso: €7
Conclusão
Essas cinco cidades formam um panorama muito completo da história do Cristianismo na Itália. Roma e Vaticano mostram onde tudo começou e como a fé se organizou ao longo dos séculos. Assis explica a força da espiritualidade franciscana, que atravessou fronteiras e continua atual até hoje. Pádua guarda a memória de Santo Antônio, um dos santos mais queridos pelos brasileiros. Turim conecta tradição e pesquisa com o Santo Sudário. Loreto apresenta uma das devoções marianas mais antigas e importantes do país.
Cada uma dessas cidades representa um aspecto diferente da fé católica: a origem das tradições, a missão dos santos, o serviço dedicado às comunidades, a devoção popular e os caminhos percorridos pelos peregrinos ao longo dos séculos. Não é necessário visitar todas de uma vez; conhecer algumas delas já permite entender a Itália para além das paisagens e monumentos. É um roteiro que combina história, cultura e espiritualidade de forma natural e acessível, especialmente para quem se interessa pelo contexto religioso que moldou tantas regiões italianas.
Para muitos brasileiros, percorrer esses destinos também ajuda a reconhecer elementos da própria formação cultural e religiosa. Mesmo quem viaja sem foco explícito em peregrinação costuma perceber, nessas cidades, um lado da Itália que nem sempre aparece nos roteiros turísticos tradicionais; um conjunto de histórias e símbolos que revela outra camada do país para quem observa com calma e curiosidade.







